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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Homenagem ao Kakalo assassinado pela hepatite C


23/09/2010


Por favor, ajude a divulgar!

Este texto foi escrito pela filha do poeta e compositor Mario Lago, Graça Maria Lago, relatando a absurda morte de seu irmão Kakalo (Luiz Carlos Lago) por decorrência da hepatite C, denunciando que por falta de campanhas de alerta e detecção, pelo menos em quem recebeu transfusão de sangue antes de 1993, os infectados estão morrendo sem saber que estavam com uma doença potencialmente fatal.

Mario Lago foi o autor de sambas populares como "Ai, que saudades da Amélia" e "Atire a primeira pedra".  Graça, espero que o texto seja a "primeira pedra" que atinja em cheio os responsáveis pela vigilância epidemiológica deste nosso Brasil para que, independentemente do partido político que estiver no poder deixe de existir a omissão em relação à falta de campanhas de detecção dos mais de três milhões de brasileiros infectados nas hepatites e que não sabem que estão doentes, como aconteceu estupidamente com teu irmão.

Não consigo compreender se tal omissão é por incapacidade da gestão dos últimos vinte anos ou, se realmente acreditam que escondendo o problema das hepatites conseguem acreditar que o mesmo não existe.  O primeiro alerta foi realizado por editorial da Folha de São Paulo em 10 de agosto de 1992 ( www.hepato.com/materias/00_1982_alerta.html  ) e, passados 18 anos pessoas como Kakalo continuam morrendo estupidamente por falta de políticas públicas que enfrentem a maior epidemia já existente no Brasil.

Graça, vamos gritar, berrar, denunciar, reivindicar a falta de ações por parte do governo sem aceitar qualquer tipo de censura que possa nos calar.  Se nada for feito de forma urgente para diagnosticar e tratar os aproximadamente 4 milhões de brasileiros infectados com hepatite C, até 1 milhão deles terão na próxima década o mesmo destino que o teu irmão.  Se ficarmos calados estaremos sendo coniventes com o maior genocídio da historia do Brasil!

Meus parabéns pelo teu texto e ficamos solidários na tua dor e indignados com a pasmaceira dos gestores públicos que deveriam cuidar das hepatites no Brasil.

Carlos Varaldo
Presidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite
Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Mais um triunfo para os pacientes do Rio de Janeiro!

Farmácia Estadual de Medicamentos Especiais - 
RIO FARMES



Comunicamos que neste domingo dia 19 de setembro, às 10.00 horas, com a presença do Ministro da Saúde e do Secretário Estadual da saúde, estará sendo inaugurada a nova Farmácia Estadual de Medicamentos Especiais - RIO FARMES, na Rua Julio do Carmo, s/n°, Cidade Nova (Estação Praça 11 do Metro), na cidade do Rio de Janeiro.

Foi uma velha luta conseguirmos que uma farmácia decente fosse construída, desde quando ela estava na Rua Moncorvo Filho que denunciávamos as péssimas condições de atendimento, onde os pacientes ficavam na rua, na chuva.

O Grupo Otimismo está orgulhoso de ser autor das denuncias no Ministério Público, o que desencadeou a abertura do processo na Justiça Federal, obrigando o Ministério da Saúde a repassar R$. 750.000,00 para contribuir na construção do novo prédio, sendo o restante do investimento de responsabilidade do estado.

Estaremos lá, porque sempre batemos, mas quando atendem (em geral a contragosto) devemos comparecer para bater palmas.  Estão todos convidados!

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
www.hepato.com

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Hepatite C – Doença Negligenciada


Segundo estatísticas oficiais, existem atualmente no Brasil mais de 5,5 milhões de infectados com as hepatites B e C
 Carlos Varaldo *

Estima-se que um dos maiores desafios da área de saúde pública brasileira nos próximos anos será o crescimento dos transplantes hepáticos conseqüentes das hepatites crônicas.

Segundo estatísticas oficiais, existem atualmente no Brasil mais de 5,5 milhões de cidadãos infectados com as hepatites B e C. O número, por si só, já preocupa, mas há um agravante: 95% dessas pessoas desconhecem que estão doentes. A falta de conhecimento contribui para que a doença evolua para um quadro clínico de cirrose e câncer de fígado. Se tratada em tempo, a hepatite C tem cura em mais de 60% dos casos.

Um em cada quatro desses brasileiros, se não diagnosticado, estará perdendo, em média, 17 anos da sua vida. Nesses casos, as mortes relacionadas a problemas decorrentes das hepatites ocorrem com, aproximadamente, 56 anos de idade. Atualmente, 1 em cada 350 pacientes infectados com hepatite C recebe algum tipo de tratamento e, no caso da hepatite B, o índice é ainda pior, pois somente um em cada 900 pacientes infectados recebe tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Criado em 1988, o SUS tem como objetivo universalizar os serviços relacionados à saúde da população. Contudo, mesmo completando mais de duas décadas de implantação, o SUS ainda tem problemas a serem equacionados. Entre os seus maiores déficits, estão a falta de diagnóstico das hepatites e os tratamentos obsoletos e pouco eficazes. Há também quem seja diagnosticado, mas encontra dificuldades no SUS para ser tratado.

Outro ponto a se discutir é o estigma que envolve os pacientes com hepatite. As pessoas tendem a achar que apenas drogados e promíscuos estão entre os infectados. Se você não se encaixa nesses perfis, achará que não tem a necessidade de fazer o teste, pois não corre riscos.

O maior número de infectados se encontra na faixa entre 35 e 50 anos. A média de idade do grupo de risco se explica pela formação médica, já que os profissionais dos anos 90 não estudaram a enfermidade, que não apresenta sintomas, dificultando assim o seu diagnóstico. Antes de 1993, a forma mais comum de contágio era pela transfussão, quando as bolsas de sangue não passavam por checagem de hepatite.

Motivo de discussões há tempos, em ano de eleição os questionamentos sobre a saúde pública são ainda mais pertinentes. Como representante de milhões de infectados e seus familiares e falando em nome do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite, pergunto aos presidenciáveis: qual será sua proposta de governo para tratar da questão do diagnóstico e tratamento das hepatites B e C? Já está mais do que na hora de nossos representantes olharem para essa doença que afeta cada vez mais brasileiros.

* Carlos Varaldo
Presidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite

quinta-feira, 27 de maio de 2010

PLS 330 de 2004 - PL DO SENADO


27/05/2010


Um apelo ao Senador Romero Jucá

PLS - PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 330 de 2004


Romero Jucá (Agência Estado)
O PLS 330/2004 altera a Lei no 7.670, de 8 de setembro de 1988, e o art. 186 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, para incluir os portadores das formas crônicas da hepatite B ou da hepatite C.

A Lei no 7.670, de 8 de setembro de 1988, dispõe alguns justos benefícios aos infectados com HIV/AIDS e, a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 institui o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das autarquias, inclusive as em regime especial, e das fundações públicas federais.

Dito PLS, uma justa reivindicação dos portadores das formas crônica das hepatites B e C se alastra nessa casa legislativa desde 2004.  Encontrando-se na CAE - Comissão de Assuntos Econômicos teve interrompida a tramitação devido a requerimento do Senador Romero Jucá para que o Ministério da fazenda se manifeste.

O Ministério da Fazenda por meio do Aviso nº 150/MF, de 12 de maio de 2010 respondeu não ser assunto de tal ministério, o que pode ser interpretado como um “nada a opor”, devendo agora o projeto retornar para as Comissões de Assuntos Econômicos e de Constituição, Justiça e Cidadania, para apreciação preliminar, e posteriormente, à Comissão de Assuntos Sociais, em decisão terminativa, cabendo ao Senador Renato Casagrande dar continuidade à tramitação da Matéria.

Senador Romero Jucá, o PLS 330/2004 não cria novas despesas, pois a aposentadoria já foi concedida (hepatopatia grave) por meio da Portaria Interministerial nº 2.998, de 23 de agosto de 2001.  O PLS 330/2004 somente regulamenta de maneira mais explicita a questão a aposentadoria, passando a conceder benefícios como a retirada do FGTS e PIS/PASEP, benefícios esses que não criam novas despesas, assim, a vossa preocupação com os custos do PLS não se sustentam.

Por meio deste apelamos ao Senador Romero Jucá que como líder do governo evite novos entraves aos justos benefícios que os infectados com as hepatites B e C, inclusive aos servidores públicos civis, devido a que passados seis anos de tramitação o PLS 330/2004 ainda se encontra no Senado Federal.

Muitos já morreram aguardando tais benefícios (pode ver a relação de alguns de nossos associados mortos por culpa das hepatites em ( www.hepato.com/vergonha/vergonha.htm ), outros se encontram no leito da morte, aguardando um transplante de fígado que dificilmente chegará e, outros se encontram com cirrose ou câncer.  Por favor, em nome do sofrimento dos infectados vamos acelerar a aprovação e assim salvar milhares de brasileiros.  Tudo depende da atuação de vocês, Senhores Senadores.

Solicitamos também ao Senador Renato Casagrande continuar com o empenho na aprovação do PLS 330/2004, acelerando o máximo possível a sua aprovação.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
www.hepato.com 



PARTICIPE!

Escreva ao Senador Romero Jucá para evitar que crie novos entraves pelo e-mail  romero.juca@senador.gov.br

Escreva ao Senador Renato Casagrande, o qual está defendendo ardorosamente o projeto de lei pelo e-mail  renatoc@senador.gov.br

A relação completa dos e-mails dos senadores e encontrada em http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_atual.asp   escreva a todos eles, pois a pressão popular sempre causa efeito, mais ainda em ano eleitoral.


domingo, 7 de março de 2010

Resposta da SBH sobre o conceito de hepatopatia grave

Foi rápida e acertada a resposta enviada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia – SBH, Dr. Raymundo Paraná, a qual agradecemos e divulgamos na integra.

É reconfortante ver que o e-mail de ontem com o tema “Portadores de doença pulmonar e de Hepatite B e C podem NÃO ter mesmos benefícios concedidos aos portadores da AIDS” causou imediata repercussão, provocando a abertura da discussão com o intuito de se encontrar um novo conceito de hepatopatia grave.

No texto, o Dr. Paraná concorda que uma equação como o MELD é falha por não incluir situações como encefalopatia, além de outras mais como o prurido, doença pulmonar e a fadiga incapacitante e, ainda, devemos incluir nessa lista a depressão, a irritabilidade, a baixa produção de plaquetas, etc. etc..

O MELD avalia a expectativa do tempo de vida do paciente, não a qualidade de vida ou sua capacidade produtiva (laborativa), por isso é errado utilizar somente o MELD para fins de avaliar se o paciente pode trabalhar ou deve ser afastado.

Concordo que o erro partiu do PNHV em 2005 quando solicitou por oficio a SBH à realização do conceito de hepatopatia grave, sem ter aberto a discussão as outras especialidades médicas que certamente deveriam ter sido ouvidas, inclusive as associações de pacientes.

Agora parece que no ministério da saúde ninguém e o pai da criança, ninguém quer assumir o compromisso de reaver o conceito de hepatopatia grave. Fico feliz de saber que a SBH vai oficiar o ministério solicitando uma revisão. As ONGs, com certeza, também estarão se mobilizando solicitando a revisão ao Programa DST/AIDS/Hepatites, a SVS e a SAS, para que seja realizada uma consulta pública a todas as sociedades médicas e grupos de pacientes e, com isso, redigir um conceito de hepatopatia grave que atenda a sua real finalidade, que é a de aposentar quem realmente não possui condições de realizar uma atividade produtiva e, que hoje, por culpa das constantes consultas médicas e demitido de seu trabalho acabando desempregado e sem recursos para uma vida digna.

Obrigado Dr. Paraná pela sua pronta resposta e sua demonstração de realmente querer mudar o conceito de hepatopatia grave. A união das sociedades médicas e das ONGs na pressão a ser exercida perante o ministério da saúde certamente redundará em mudanças no atual conceito de hepatopatia grave.

Desculpem a acidez do texto de ontem, mas empregamos aquele velho refrão que diz que algumas vezes e necessário cutucar o leão com a vara curta para que exista alguma reação. Passados cinco anos da reivindicação pela mudança do texto a diplomacia já não mais funciona, sendo necessário se atuar de forma mais agressiva, ainda que isso cause atritos e criticas.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo






Segue o texto da SBH:


Prezado Sr Varaldo

Solicito que passe este e-mail para todos aqueles que o Senhor Passou o e-mail anterior. Isso faz parte do jogo democrático aberto, limpo, transparente dos que querem corrigir as distorções. Acredito que tanto eu, representando a SBH, quanto o senhor, representando parte da sociedade civil, temos o mesmo objetivo.

A SBH não é orgão deliberativo. Só pode atuar como orgão consultivo. Não tem poderes para mudar leis. Portanto, só poderá fazer algo se solictado pelas autoridades competentes. Em 2005 foi isso o que aconteceu. Pediram à diretoria da SBH naquela época que definisse o que é hepatopatia grave. O MELD foi utilizado, suponho, por se tratar de um escore de prognóstico. O paciente com MELD 15 não está com o pé na cova, mas já possui limitações que permitirão o seu acompanhamento em direção ao transplante (INICIAL), embora , na prática, todos saibamos que o seu transplante só se dará com mais alguns pontos adquiridos durante o seu acompanhamento em lista.

A definição de hepatopatia grave é complexa, até porque há, de ambos lados, há pressões para alargar ou estreitar o espectro desta definição. Se amplo demais seria injusto para todo o país, além de moralmente duvidoso e éticamente indecente. Não se pode excluir pessoas produtivas da cadeia de contribuição social, para que outros contribuintes os sustentem. Da outra parte, se estreitarmos o gargalo, seria injusto a ponto de penalizar os que estão doentes e incapacitados por conta de uma equação como o MELD que é falha por não incluir situações como esta que o senhor colocou (encefalopatia), além de outras mais como o prurido, doença pulmonar e a fadiga incapacitante.

Todos concordamos que devemos aprimorar estes critérios e melhor definir as situações especiais, mas é necessário que a SBH seja consultada pelos orgãos competentes, inclusive o Ministério Público Federal.

A questão já foi levada às instancias competentes, através de consultas que a SBH respondeu a pedido da justiça e do Ministério Público. Nestes prcessos foram colocadas com clareza a delicadeza da situação e a necessidade de análise individual do caso.

Não sei qual o escopo de atuação do Ministério da Saúde neste quesito, mas seguramente o assunto já foi discutido nesta instituição. A SBH fará uma carta à Previdencia social e ao ministério da Fazenda com o fito de provocar uma nova avaliação do tema, mas, REPITO, não há poderes da SBH para mudar leis e resoluções.

Portanto, a definição conceitual de hepatopatia grave não deixou de ser correta, pois aplicou um escore validado internacionalmente. A forma como este conceito é utilizado não compete a SBH. Repito, em qualquer lugar do mundo, se questionado sobre conceitos de hepatopatia grave, os escores de MELD e de Child-Pugh serão aqueles utilizados na definição, pois, mesmos com as falhas, são internacionalmente validados e simplificam uma complexa questão. Em contrapartida, é preciso dar espaço às situações especiais e para isso a SBH vai lutar por estar em defesa do que é justo e correto para a população BRASILEIRA.

Portanto, a SBH e as ONGs estão do mesmo lado, nesta árdua luta. A SBH foi e continua sendo responsavel por muitos avanços que permitiram atendimento digno aos portadores de hepatites deste país. A SBH tem longa histtória de luta na defesa dos portadores de hepatites virais no país, além de ter a TOTAL RESPONSABILIDADE por este assunto (Hepatites Virais) ter sido um dia trazido a pauta de discussão do Ministério da Saúde. Se temos hoje uma estrutura no serviço público para atender pacientes portadores de hepatites, pode ter certeza que se deveu UNICA E EXCLUSIVAMENTE às ações de membros da SBH. Assim , não há sentido em se passar uma ideia irreal de que a SBH possa ter o objetivo de prejudicar pacientes. Tenho certeza que o senhor sabe que não é isso o que acontece, portanto nos seus justos textos em defesa da causa, peço-lhe que tenha cuidado para não macular, mesmo não intencionalmente, uma história de lutas da SBH. Muitas vezes somos traídos pelo nosso entusiasmo e não percebemos alguns excessos que cometemos.

Tenha certeza que a SBH estrá com as ONGs nesta luta para aprimorar e melhor definir os critérios de hepatopatia grave. Estaremos justos nesta e em outras lutas em defesa da cidadania Brasileira.

Atenciosamente,

Raymundo Paraná
Presidente da SBH